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O Dia dos Namorados não deveria ser comemorado em 12 de junho. Tudo bem, essa data até poderia ser perfeita para tal, pois, a essa altura, o frio já começou a dizer a que veio. E todos sabem que frio combina com lareira, que combina com vinho, que combina com cobertores e que tudo isso junto, dizem, combina com romantismo.
Só que ninguém se lembra de que o mesmo frio que estimula os apaixonadinhos é capaz de produzir uma das cenas mais broxantes de que se tem conhecimento: um homem de ceroulas. Não há romantismo que resista a um homem de ceroulas.
Todos nós ficamos ridículos vestindo as ditas-cujas! Homem de ceroulas é mais feio do que facada no minguinho (nunca soube se o certo é “minguinho” ou “mindinho”...). Só uma coisa pode ser mais feia do que ver um homem de ceroulas: ver dois homens de ceroulas. De resto, nada supera tal acontecimento. Nem se deparar com a Marlene Matos pelada é mais feio do que isso.
Pois bem, dizia eu que comemorar o Dia dos Namorados em 12 de junho seria perfeito se não fossem as malditas ceroulas. Qual homem não se viu constrangido ao estar lá no bem bom com a sua garota (depois de ter passado por tudo aquilo de lareira, vinho e talicôsa) e, de repente, lembrar-se de que está de ceroulas? Putz!
Só que, quando você se dá conta, já é tarde demais. A essa altura, ela já lhe viu só de carpim e ceroulas coladinhas, parecendo o Mikhail Barishnikov pronto para entrar no palco. Danou-se. Nem adianta você insistir na balalaika, porque ela já perdeu totalmente a vontade de dar a perestroika para você. A coisa ficou russa para o seu lado.
-- Malditas ceroulas!
Sei de um casal que, há alguns anos, terminou o namoro justamente no dia 12 de junho por causa das desgraçadas. Segundo ela, momentos antes de entregarem-se à luxúria, naquele que seria o primeiro Dia dos Namorados em que dormiriam juntos, a cena dantesca se deu. Sim, ela viu o namorado só de ceroulas e meias. O resultado? Fim de jogo em zero a zero. A libido foi-se embora junto com Minuano que soprava forte no pátio do motel.
-- Aquilo me fez lembrar o meu bisavô! E como eu vou transar com alguém que me lembra meu bisavô? -- perguntou-me ela, ao relatar-me a história. Em seguida, caiu na risada.
Pobre rapaz, esse do casal desfeito. Depois da briga, naquela noite mesmo, queimou todas as ceroulas que tinha no armário e, de pronto, mudou-se para a Bahia. Hoje vive bem, sem lareira, sem vinho, sem cobertor e sem ceroulas. Passará o dia 12 de junho na companhia da nova namorada. Segundo ele, uma bela loira que, depois de ter brigado com o ex-namorado, também mudou-se do Sul para a Bahia, sem antes queimar toda a coleção de meias-calças bege que costumava usar no inverno...
criado por Gustavo Nunes Braatz
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